Mostrar mensagens com a etiqueta Flagrantes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Flagrantes. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ser ou Não Ser


De autor cujo nome ignoro, passo a contar uma história que parece anedota mas é apenas verídica… Dizem.


Em certa vila do distrito de Coimbra, existia uma fábrica de calçado que, em determinada época, atravessou uma crise financeira.
Preocupado, o empresário decidiu alargar o seu mercado de oferta, destacando para outras regiões os viajantes que habitualmente trabalhavam a praça.
A coincidência proporcionou a dois deles visitarem a mesma localidade a fim de ativarem a prospeção dos sapatos e incentivarem a venda.
Como tinham de enviar para a Empresa um resultado prévio das suas pesquisas, cada um elaborou o seu relatório consoante o que tivera ensejo de observar.
Assim foi que o gerente da Firma recebeu de um deles, o seguinte telegrama:

“Vila muito pobre. Negócio impossível. Aqui ninguém usa calçado.”


Entretanto, o colega telefonava, eufórico, para que lhe enviassem os modelos constantes do seu mostruário:

- “Belíssimas perspetivas. Aqui, toda a gente anda descalça.”

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

HORARIO DOS COMBOIOS PARA O PARAISO


Partidas - A todas as horas.
Chegadas - Quando Deus quiser e o passageiro possua as necessárias condições.



PREÇO DOS BILHETES

1ª Classe - Inocência ou martírio.
2ª Classe - Penitência, oração e confiança em Deus.
3ª Classe - Arrependimento dos pecados e resignação.



AVISOS


1º - Não há bilhetes de ida e volta.
2º - Não há passageiros turísticos.
3º - As crianças não pagam nada porque viajam nos joelhos da mãe – a Santa Igreja.
4º - Pede-se a fineza de não levar outra bagagem além das boas obras, se não quiser perder o comboio ou ficar detido na penúltima estação. É impossível chegar ao termo da viagem com bilhete falso.



OBSERVAÇÕES


Este horário é para todas as estações, todos os lugares e todos os homens. Nem reis poderão organizar comboios especiais para si próprios.

                                                                                   
(texto de autor anónimo)

sábado, 14 de setembro de 2013

A Origem do Samurai


Em 200 anos a.C., as culturas eram esporádicas e a maior parte dos povos nómadas.
Com o aparecimento da agricultura, uma parte da população tornou-se camponesa e proprietária de pequenas quintas. Outros – os que eram caçadores – especializaram-se na arte do combate.
Com o decorrer dos séculos, a arte de combate e o sentimento da honra fizeram destes combatentes “Samurais” de coragem sem falhas e de poderes extraordinários.

A palavra Samurai significa aquele que serve.
As armas favoritas do Samurai deram lugar aos sabres japoneses, um curto e um longo, a Katana e o wakisahi. Estas armas afiadas como as navalhas, podiam desferir golpes mortais – servindo para executar o suicídio (harakiri), se a honra do Samurai o ordenasse.

A herança de séculos de cultura japonesa, o “bálsamo do Samurai” possui ele também parte do mistério – e uma terrível eficiência.



(texto de autor desconhecido. Traduzido do francês, por Aurora Tondela)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O Cesto da Fruta


Se acredito em milagres?

Um episódio que se passou comigo leva-me a ficar indecisa, a desprezar fantasias e “varinhas mágicas” de histórias de encantar ou fábulas. O que se passou, envolto na neblina do mistério, irá permanecer assim, na égide de Deus, do conhecimento que ele tem do meu ser e do meu destino, lembrando-me que eu sou importante para os seus desígnios.

Era o tempo de uma daquelas crises em que se passa fome devido à conjuntura sócio-económica.
Acompanhada da minha filha mais velha, saímos para a rua sem motivo óbvio.
O instinto de respirar ar puro e conversarmos sobre o presente, levou-nos a uma planície, forrada de algum arvoredo.
Quando nos cansámos de andar, procurámos o apeadeiro próximo servido por uma linha férrea e um banco tosco. A uns metros de distância, existia uma degradada construção de madeira que, julgámos servir de “toilette”.
Não havia ninguém nas redondezas. Sentámo-nos no único banco de pedra, frente à linha do comboio e ficámos a conversar, ouvindo de vez em quando um trinado ou um rechinar de cigarra.
A certa altura, o Alfa apitou e passou sem parar.
Mal a folhagem tinha assentado na plataforma arenosa, um outro apito perfurou o silêncio. Era um suburbano, arquejando ronceiramente. Quando chegou ao apeadeiro, as suas cartilagens guincharam e imobilizou-se. Reparámos que não tinha descido ninguém. Nem, naquele espaço de espera, sequer um viajante aparecera para continuar o trajeto.
A composição arrancou e desapareceu no túnel.
- É melhor irmos. A noite não tarda.
Minha filha suspirou, desalentada.
- Confia no Senhor! – continuei - Ele não deixou de gostar de nós.
Uma lágrima rebentou. Foi quando olhámos para a ponta do banco e vimos um cesto de vime. Entreolhámo-nos, surpreendidas, um tanto confusas.
- Alguém desceu da carruagem sem que déssemos conta.
- Mas como deixou o cesto sem que víssemos?
- Terá ido àquela barraca? Estará lá dentro?
Olhávamos em redor, olhávamos para o cesto. Não nos atrevíamos a tocar-lhe. Tínhamos esquecido a fome. O medo do amanhã Tinha sido posto de lado.
- Que fazemos, se ninguém aparecer?
- O Senhor nos orientará.
A solidão era absoluta. Entretanto, a tarde escurecera por completo O sino, na torre de uma igreja algures, badalou as dez horas, sinal de que os comboios regionais não voltariam a passar tão cedo.
À fraca luz de uma lanterna, aproximei-me da improvisada “casa de banho” e exclamei:
- Está aí alguém?
Nenhuma resposta.
Receosas, resolvemos abrir o cesto e pasmaram os nossos olhos. O cesto estava repleto da mais resplandecente fruta que poderíamos imaginar: maçãs, laranjas e uvas. Nenhum nome que identificasse a proveniência.
As nossas lágrimas eram tão suaves que deviam sorrir. A nossa gratidão não concebia limites.
O cesto foi envernizado e ainda hoje permanece no lugar mais alto da casa. Consideramo-lo o objeto mais precioso dos nossos pertences.
Não sei nem o Senhor por certo deseja, que se saiba o que na realidade aconteceu. O mistério é insondável como o são os seus desígnios.
O facto confirmou a sua vontade compassiva e a certeza de que lhe merecemos atenção. Em circunstância alguma, devemos duvidar do seu auxílio, demore o tempo que demorar.
E foi por este e outros acontecimentos que eu aprendi a ver os sinais com que Deus nos orienta para não fraquejarmos na nossa fé.

Se acredito em milagres?
Acredito em Deus.
Em consequência, tudo o que Ele fez e faz , são milagres.

domingo, 5 de maio de 2013

Uma Fábula de Encantar



(especial para o dia da Mãe)


De autor que desconheço, invoco a seguinte narrativa, pedindo desculpa porque, embora utilizando diálogos da minha própria inspiração, pena tenho de a ideia não ser minha.


Conta a história que Deus, não podendo estar em todos os lugares ao mesmo tempo, inventou as mães.
Muniu-se do gesso e começou a moldar.
Um anjo, que andava por ali, perguntou:
- Que fazes, Senhor?
- Vou tentar esculpir uma mulher.
- Ora, Senhor, o que há mais, são mulheres.
- Sim, mas esta é especial.
O anjo riu, com ironia.
- E qual é a especialidade dela?
-São muitas… as especialidades que lhe quero imprimir.
E Deus continuou a afagar a massa, dando-lhe forma.
- Por exemplo… - insistiu o anjo.
Deus suspirou.
- Olha, tem de ser corajosa, vencer o medo, mesmo que trema por dentro.
- Oh! Isso…
- Tem de sorrir mesmo que tenha vontade de chorar. Tem que providenciar em tudo para que nada falte na sua casa e aos seus filhos. Tem que transmitir otimismo mesmo nas horas mais adversas. Transmitir esperança, em suma…
- Mesmo que a derrocada esteja por perto…
- Sim, mas aí, tem de mostrar o lado bom da vida e esconder dos filhos os piores momentos e ameaças Tem de ser resistente.
- Formidável, Senhor. Nunca imaginaria tal modelo…
- Tem de dar o melhor para as suas crianças e guardar para si, o pior bocado.
O anjo rodeou a mesa e analisou a escultura.
- Está a ficar formidável, Senhor! E muito bonita!
- Não pode mentir. Tem de ser pacífica em todas as circunstâncias. Tem de ser solidária.
- Mãe é tudo isso, Senhor?
- Mais ainda: é um poço de ternura… e de solidão, também. Mas é forte. Enfrenta os desafios…Bem, acho que acabei! Coragem, altruísmo, sabedoria, julgo que não me esqueci de nada. Do essencial, suponho.
Enquanto Deus falava, o anjo contemplou a obra com apreensão. Tinha notado na face da estátua uma excrescência rolando de um dos olhos.
- Esta saliência aqui, Senhor…
Deus reparou e apressou-se a dizer:
- É uma lágrima! Mas não fui eu que lha pus.