domingo, 5 de maio de 2013

Uma Fábula de Encantar



(especial para o dia da Mãe)


De autor que desconheço, invoco a seguinte narrativa, pedindo desculpa porque, embora utilizando diálogos da minha própria inspiração, pena tenho de a ideia não ser minha.


Conta a história que Deus, não podendo estar em todos os lugares ao mesmo tempo, inventou as mães.
Muniu-se do gesso e começou a moldar.
Um anjo, que andava por ali, perguntou:
- Que fazes, Senhor?
- Vou tentar esculpir uma mulher.
- Ora, Senhor, o que há mais, são mulheres.
- Sim, mas esta é especial.
O anjo riu, com ironia.
- E qual é a especialidade dela?
-São muitas… as especialidades que lhe quero imprimir.
E Deus continuou a afagar a massa, dando-lhe forma.
- Por exemplo… - insistiu o anjo.
Deus suspirou.
- Olha, tem de ser corajosa, vencer o medo, mesmo que trema por dentro.
- Oh! Isso…
- Tem de sorrir mesmo que tenha vontade de chorar. Tem que providenciar em tudo para que nada falte na sua casa e aos seus filhos. Tem que transmitir otimismo mesmo nas horas mais adversas. Transmitir esperança, em suma…
- Mesmo que a derrocada esteja por perto…
- Sim, mas aí, tem de mostrar o lado bom da vida e esconder dos filhos os piores momentos e ameaças Tem de ser resistente.
- Formidável, Senhor. Nunca imaginaria tal modelo…
- Tem de dar o melhor para as suas crianças e guardar para si, o pior bocado.
O anjo rodeou a mesa e analisou a escultura.
- Está a ficar formidável, Senhor! E muito bonita!
- Não pode mentir. Tem de ser pacífica em todas as circunstâncias. Tem de ser solidária.
- Mãe é tudo isso, Senhor?
- Mais ainda: é um poço de ternura… e de solidão, também. Mas é forte. Enfrenta os desafios…Bem, acho que acabei! Coragem, altruísmo, sabedoria, julgo que não me esqueci de nada. Do essencial, suponho.
Enquanto Deus falava, o anjo contemplou a obra com apreensão. Tinha notado na face da estátua uma excrescência rolando de um dos olhos.
- Esta saliência aqui, Senhor…
Deus reparou e apressou-se a dizer:
- É uma lágrima! Mas não fui eu que lha pus.