quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Alberto - Tempo



2º texto


Só hoje me é possível divulgar mais um dos escritos de Alberto, a que ele intitulou Tempo. Foi uma forma de o fazer “reviver” nas suas ideias e tentar compreender a tormenta e decepção que rodeavam a sua alma e o levaram ao desespero




No espaço vazio vigorava um terrível silêncio, uma eterna solidão. Tudo era um infinito mundo sem leis. Bem no centro daquele espaço sem extremos, algo se mexia. Saltavam faíscas, inflamavam-se as sombras da escuridão. As trevas confundiam-se numa terrível escuridão que ia muito além do seu oposto irmão. A escuridão tornava-se claridade. por um infinito momento quando trespassava o ponto crítico mas inexistente, onde os opostos se tocam. Nesse ínfimo momento em que a velocidade antecede invariavelmente o repouso, o tempo parava dando largas a um vácuo imperceptível mas que se prolongava para o infinito. Então um raio percorria o Espaço, perdia-se no horizonte, ao mesmo tempo que reaparecia no lugar onde sempre estivera. Pequenos mas inúmeros raios dispersavam-se. Na realidade, havia um só raio, um enorme raio que aclarava a escuridão, aqueles raios inúmeros, certos, diminutos, postos sobre o tempo, parecia quebrar a continuidade da claridade. Era o tempo que devassava as trevas, era o tempo que forçava a sua lei, era o tempo que nos amordaçava.