quarta-feira, 25 de julho de 2012

MULHER EM FORMA DE CORAGEM


22 de Julho de 2012


ALEXANDRA
MULHER EM FORMA DE CORAGEM


No somatório de barbaridades que ocorrem no percurso das nossas existências, umas, que explodem pelo mundo fora, outras que nos tocam de perto ou somos delas protagonistas, há sempre símbolos vivos, marcos indeléveis que prevalecem e resistem ao confronto com a adversidade, com as facetas incontroláveis da intempérie.
O destino das pessoas é uma incógnita. E se é certo que “Deus escreve direito por linhas tortas”, nada escreveu de tão belo e heróico como no traçado da vida desta mulher, hoje jovem mãe de família, de cujos filhos se pode orgulhar pelos valores que lhes incutiu e pela educação que sempre lhes deu, apesar das contingências quotidianas.
Um dia, Alexandra, adolescente ainda, foi atrás de um sonho. Enquanto durou, as pétalas perfumadas do seu dia-a-dia, foram misturando os espinhos acerados de cardos que lhe golpeavam as veias e a alma.
Quem puder contar a odisseia de Alexandra ao longo de um trajecto que longe está do meio século, terá de se enquadrar bem no círculo em que ela sempre se movimentou, não permitindo que o seu espírito deixasse de avaliar lucidamente o ponto fraco, o momento de ouro e o salto de mudança - o tal “escrever direito”, por “linhas tortas”.
Alexandra desceu aos infernos, sofreu e fez sofrer. Mas atingiu o Tabor das grandes transfigurações. Mulher de estandarte na mão, aguerrida perante os vendavais, coerente perante as necessidades do presente, lutadora e determinada, venceu a pior batalha da sua vida: ela própria.
A partir daí, as pequenas batalhas travadas minuto a minuto, não passam de escaramuças doseadas pelo orgulho que sente em possuir uma mens sana in corpore sano(a), de ser mãe de três filhos espetaculares, de ter construído o que possui à custa do seu esforço e do seu trabalho, firmemente decidida a manter e aperfeiçoar o que conquistou, o que lhe adoça a vida, o que a faz respirar e encher de ar os pulmões; o que a leva a olhar em frente, o seu horizonte, a esteira luminosa do sol desdobrado sobre o seu oceano de orientes e de poentes, a renovação constante, permanente da esperança e do optimismo.
Saúdo Alexandra neste dia do seu aniversário, no limiar das suas duas décadas palmilhadas no calendário das suas renúncias e flagelos, no turbilhão das suas alegrias e angústias, na certeza de que ela é um exemplo de grande Mulher e de grande Mãe. Mulher que soube espezinhar a serpente que lhe ameaçava o calcanhar.
Mãe, que elevou os seus filhos acima da sua cabeça, nas passagens terríveis do Mar Vermelho da sua existência.
Alexandra, a Xana para os íntimos ou a Xaninha das ocasiões especiais, pode compreender hoje que é uma pessoa vitoriosa, de espírito aberto e coração tolerante.
Há dois meses, foi avó. E espera vir a sê-lo de novo.
Na sua memória perpassam as histórias de encantar que um dia contará aos pequeninos seres, inocentes das realidades dos mais velhos.
Ao começar…”Era uma vez”…
- Vovó, porque têm água os teus olhos?
É o brilho da alegria. Só Deus e ela sabem como se sente rica e realizada. E o caminho que tiver de percorrer na continuidade do seu universo, deparar-se-lhe-á forrado de experiências, um tesouro incalculável que norteou o seu conhecimento.
“Por linhas tortas, Deus escreveu direito” uma página dourada da história de Alexandra cujo passado rescaldado no presente, terá a sua glória no futuro.

(a) - "Uma mente sã num corpo são" - é uma famosa citação latina, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal.