sexta-feira, 9 de março de 2018

Reflexção XIX


Folheio para trás as páginas do meu diário e procuro. Rememoro virada para o passado tudo se esfuma. Um borrão mancha nomes que de mim se esqueceram. Uma neblina silencia nomes que a morte ceifou e continua a ocultar ma sombra de uma nostalgia resignada.
Posso orgulhar-me de ter tido grandes amizades, daquelas que me nimbaram, despojando-se até ao sacrifício.
Este sentimento, mais puro do que o amor pois é desobrigado de egoísmo, é tanto mais precioso quanto tem de raro.
As amizades banalizaram-se e são muito poucas as que se dão sem querer nada em troca.
A amizade cultiva-se. Semeia-se para se colher. Quando não dá bom fruto nem a planta melhora com a poda, o melhor é desistir desse terreno árido onde as sementeiras não florescem e procurar amaciar o coração com a brandura compreensiva ou o sentimento tolerante, na certeza de que ninguém é perfeito.
Afortunadamente, eu sei o que são amizades duradouras. Amizades que nasceram na juventude, na cumplicidade de certos valores, na aventura de caminhadas em comum.
O tempo passa mas não apaga.
Mais bela do que o amor, se ela o substitui quando este se acalma, está erguido o pilar das verdadeiras descobertas enriquecidas por tesouros que não são falsos.
Ter amigos com quem se pode contar, desabafar, partilhar momentos de euforia ou tristeza, torna a vida menos pesada
Feliz aquele que tem amigos em quem pode confiar, são discretos e respeitam as suas confidências, guardando-as no sigilo apropriado
A traição mata a amizade. Mas a amizade que supera traições guinda o ser humano ao nível dos eleitos na filosofia cristã.
Que se todos procedessem com o pensamento no seu próximo, dele mesmo teria a desejada recompensa e o mundo seria melhor.
Se não se puder amar, não se odeia antes, se esqueça.