quinta-feira, 8 de março de 2018

ENCONTRO de CANICHES XVII


O focinho apreensivo de Maruja surpreende os companheiros. - Está tudo bem? – pergunta Rissol.
Ela reage.
- Bem?! Qual bem, qual carapuça? Está tudo mal!
- Mas o que é que se passa? – inquire Jimy.- Então vocês não sabem o que está a acontecer nos hospitais?
- Certos hospitais! – acentua Pipoca.
- Também era melhor que fosse a generalidade. Um horror! Um desumanismo. Bem, vocês sabem.
- Faz-se alguma coisa de maneira a solucionar a situação? Os pedidos obtêm resposta? O comodismo impera, meninos.
Rissol avançou:
- Havia uma maneira de pôr cobro a calamidades como esta.
- Sim? Qual?
Após um curto silêncio, Jimy informou:
- Era colocar o ministro da área no lugar ocupado obrigatoriamente pelos doentes e obrigá-lo a respirar aqueles ares viciados, a sofrer as longas listas de espera, a misturar-se com os ais e gemidos nos corredores.
- E já agora a não ter dinheiro para as receitas, principalmente para as que não têm comparticipação como os antibióticos e as vitaminas.
Pipoca ergueu uma pata no ar.
- Voto pelas consultas privadas!
- É burra!
Sheik prosseguiu:
Sim, se os que auferem salários chorudos e quando reformados, continuam para além da reforma a usufruir de todas as regalias, recebessem menos para os que auferem pouco gozem de um pouco mais.
- É o que eu digo! E repito! O dinheiro está mal distribuído.
A sentença veio de Jimy:
- Bem…se as grandes fortunas nascem e avultam do trabalho honrado.
Gargalhada geral.
Jimy corrigiu:
- Há sempre excepções à regra.
- Não, não, que o sol quando nasce é para todos.
Mas nenhum aplaudiu Maruja, que ganiu, desconsolada.