domingo, 31 de dezembro de 2017

AFINAL, PARA QUEM É O NATAL?

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Tenho ouvido com frequência que o Natal para certas pessoas não diz muito; para algumas, não diz nada. O facto de dizer pouco ou nada prende-se com as desilusões da vida e da idade. Tem a ver com o carácter de cada um, com o factor educacional e religioso em que nos habituam a receber o Natal.
A voz corrente é a de que o Natal é para as crianças. Mas até que ponto e desde quando as crianças entendem o Natal e o associam ao nascimento de um menino que veio para redimir o mundo? Elas nem sequer se apercebem que o mundo está mau, que a perversidade se infiltra nos homens e os torna injustos e malévolos, uma negação contínua da paz e da tolerância.
Sabemos que o colorido, a música, as surpresas, a expectativa festiva tornam as crianças exuberantes, ansiosas pela chegada do Pai Natal, não pelo nascimento de Jesus, a criança que recebeu ofertas e presentes, homenageada por altos signatários das cortes.
Daí, as prendas de Natal. Entre amigos e familiares; essencialmente para as crianças.
Mas porque o Natal existe a partir da mensagem de uma criança anunciando ao mundo bondade e justiça, contemplam-se com um pouco os que pouco ou nada possuem. À superfície irrompem as campanhas de solidariedade, os movimentos altruístas, os abraços nas “Boas Festas” de aparência.
Na morte, na violência, na criminalidade, o Natal passa ao largo.
O Natal, que representa nascimento, não passa de um evento de fachada se não é realizado todos os dias, em compreensão, em paz, em solidariedade, em perdão.

A não ser assim, então o Natal, sim, é das crianças. Porque só elas na sua magna inocência e singela ingenuidade, representam o verdadeiro significado e mensagem do Natal.