quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

ALBERTO - AS DERRADEIRAS LÁGRIMAS


3º texto



Volto a publicar mais um escrito deste jovem, cedo desenganado pela vida e descrente do futuro. A sociedade é cúmplice destes desenlaces trágicos. Porque embrenhada em egoísmo e febre de consumismo, despreza os problemas alheios e mergulha cada vez mais fundo num comodismo alarve e fútil. Serão os estúpidos mais felizes?



AS DERRADEIRAS LÀGRIMAS



Ela parecia sorrir… sim, parecia sorrir porque chorava a dor que sentia. A sua face transparecia o reprimir da dor incutida no seu sofrimento. Sofria, chorava. E sorria simplesmente porque não compreendia a razão porque chorava a dor que não queria sentir.
Num momento bizarro tentou clarificar a consciência, contudo uma miscelânea de ideias confusas inundou-lhe o pensamento. Ela, então, riu, riu muito, às gargalhadas. Chorava agora de tanto rir. Ria, ria… num ápice, um ínfimo momento, ela parou, ficou esticada, um olhar vazio cravado em coisa nenhuma, deixou de chorar! As derradeiras lágrimas caiem-lhe pelas face… As derradeiras lágrimas… Que significadas teriam apenas derradeiras lágrimas?...