segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Reflexão XV


Foi como se estivesse sentada num banco de jardim e de repente, uma folha meio ressequida caísse sobre a minha cabeça.
Inexplicavelmente uma folha de papel foi lançada no meu regaço, vinda não sei de onde, arrojada por um vento de rajada forte.
Continha o seguinte texto:

“Todos se referem à inteligência como se fosse uma coisa única. Mas ela pode ser de vários tipos, aparentando diferentes níveis de profundidade.
De entre as inteligências, as mais elevadas são a divina, a sagrada e a superior.
Precisamos aprofundar a nossa própria Fé, a fim de cultivá-las. Elas surgem quando possuímos espírito correto que admite a existência de Deus. Quando há esforço baseado na virtude, esses aspetos superiores da inteligência se desenvolvem e a recompensa será a verdadeira Felicidade.
Em nível mais baixo, estão as inteligências calculista, ardilosa, satânica e outras que nascem do mal.
Todos os criminosos servem como exemplo. Os delinquentes intelectuais, especialistas em fraudes, possuem-nas em alto grau. Os conhecidos “heróis” de sucesso passageiro, nada mais são do que portadores, em ampla escala, dessas inteligências nocivas.
É interessante notar que quanto maior for a inteligência do bem, mais profunda ela é; quanto maior a inteligência do mal, mais superficial. Basta analisara a vida dos criminosos desde épocas remotas, para verificar isto. Eles fazem planos, aparentemente perfeitos, mas que, na prática, apresentam alguma falha. É esta falha que torna público e notório o seu fracasso. Por conseguinte, se o homem deseja crescente prosperidade deve fazer esforços para aprofundar a sua inteligência.
A profundidade da inteligência depende da força da sua sinceridade. Assim, conclui-se que o homem cuja fé não é correta, nada conseguirá.
Tão logo seja aceite esta filosofia, desaparecerão os males da sociedade.
O homem de hoje é espiritual. Isto pode ser facilmente observado por quem examina os vários campos da atividade humana. Os políticos, por exemplo, só se ocupam dos assuntos imediatos; qualquer outro é negligenciado até que tome vulto. As suas providências assemelham-se aos remédios alopáticos; combatem os efeitos e não as causas. Ora, todo o problema surge porque existe uma causa; nada acontece sem motivo.
A inteligência superficial não consegue prever o futuro, ficando impossibilitada de estabelecer uma verdadeira política. No jogo de xadrez, o mestre ganha a partida porque “enxerga” os lances subsequentes. O novato é derrotado porque não o prevê.
Nesse sentido, o homem deve consciencializar-se de que precisa cultivar as inteligências de nível superior, pois, sem elas, não obterá o verdadeiro êxito. E devemos compreender que a Fé é o único meio para adquiri-las.



Nota: Este documento foi dado à estampa em 25 de Maio de 1949. O nome do autor não me foi revelado.