quarta-feira, 23 de outubro de 2013

ESCRITO NO TEMPO


Celebrando o dia 23 de Outubro de 1965
Aniversário de Eurídice


Há anos que escrevi este poema e guardei. Hoje, encontrei-o numa gaveta. A sua importância continua a ter a mesma oportunidade e vitalidade.
Parabéns, Eurídice!




A MINHA FILHA EURÍDICE


(no momento preciso em que completava cinco dias de vida)


Na vertigem da dor e do amor,
tive-te, Eurídice, e o meu coração
de madrugada dada em esplendor,
abriu-se e deu-se. Deu-se em oração.


És bela quando dormes a sorrir,
quando choras de sede, fome ou sono;
és pura como o lento ressurgir
duma corola doce ao abandono.


Por que te queremos tanto? A expressão,
só de buscá-la perde a intensidade,
só de vivê-la põe o seu diadema.


Transfigurei-me em ti. Sou a noção
do salmo que, sublime, a Mulher há-de
fazer das suas veias como lema.


(publicado no semanário Noticias de Guimarães daquele ano)