segunda-feira, 14 de outubro de 2013

VIVE-SE OU SOBREVIVE-SE?


Concordo com as pessoas que dizem que “a vida é bela”. Cada reino – animal, vegetal e mineral – é belo e o ser humano recebe muitos benefícios das suas virtudes e propriedades.
O que torna a vida ingrata é o homem; o cérebro e a mão do homem.
E ele mesmo atrai as vicissitudes para cima de si. Uns mais, outros menos, todos cometem erros, prejudicam o próximo, e, pelo menos, um pecado cometem dos dez capitais.
A intensidade da adversidade não é a mesma em todos os percursos; as necessidades não são as mesmas; a fatalidade não atinge as mesmas proporções. Em cada lar, em cada agregado, em cada estatuto social, o resultado das más ações, das fraudes, das vilanias, dos ódios, das mentiras, é diferente, as consequências são diversas e o “salve-se quem puder” de cada indivíduo traduz-se muito pela medida do seu caráter, pelo matiz da sua personalidade e pelo teor das oportunidades.
A crise que Portugal atravessa não afeta todos os portugueses. E aqueles a quem afeta, coloca em duas plataformas, os que vivem, procurando solucionar as suas carências, e os que sobrevivem numa luta quotidiana para suprir as dificuldades maioritárias, à custa de grandes sacrifícios e da dispensa de muitos hábitos que lhes davam conforto.
Fala-se em euros, milhões de euros, em concursos e sorteios que possibilitam milhares; fala-se na eventualidade da aparição de “excêntricos” devido aos sorteios e fala-se nos milhões que os sinistros homens de “negócios” manipulam e escamoteiam, num jogo de “gato e rato” com o fisco e com a justiça.
Estes vivem.
Fala-se nas famílias desesperadas que angariam o essencial para o dia-a-dia, dos milhares que, sem emprego, não têm como subsistir, crianças que vão para a escola em jejum, os que se situam “abaixo do limiar da pobreza”.
Estes sobrevivem. Principalmente pelas aparências porque há aquela “pobreza envergonhada” que se oculta no silêncio, à mercê de resoluções que nunca chegam.
Sobre os ombros dos sistemas e dos poderosos, cai a culpa destas desgraças, das corrupções, das injustiças, dos suicídios.
Temos no paladar, de novo, a vitória do PS nas autárquicas. Vamos esperar para ver.
Seria bom que os ricos ficassem menos ricos e os pobres menos pobres, já que a igualdade só está para os deveres dos que nada ou quase nada têm e os direitos dos que tudo esbulham, como aves de rapina ou sanguessugas.
Estou em crer que se virou o disco mas se vai tocar o mesmo.