quinta-feira, 25 de abril de 2013

Paródia Nacional


(Canto em doze pares de estrofes)

(Música do Hino Nacional)

                    I

Neste jardim de esperança
à beira-mar, bem plantado,
quem espera sempre alcança,
mesmo que seja logrado.

Pois na juventude está
a certeza do futuro
e em cada jovem sempre há
siso a cair de maduro.

Estribilho

Em frente! Coragem!
Alma sã em corpo são.
Cantando, à margem,
temos forte o coração.

Entrar em pânico? Isso, não!


                   II

Fama de povo hospitaleiro,
com deferência e desvelo,
ao turista forasteiro
leva-lhe o couro e o cabelo.

Não há dinheiro no mundo
nem emoção tão fascinante
que pague este amor profundo
pelo nosso semelhante.

Estribilho


                 III

Nas conversas pelos fios,
somos os primeiros na lista.
Ler muito causa arrepios
e nos dá cabo da vista.

E no pódio é certo estar,
que o vinho também não falta
no hábito alimentar
dos sonhos da nossa malta.

Estribilho


                  IV

Discursos em parlamento,
quem é que atraem nas bancadas?
Lá dentro está muito vento
para autópsia às cabeçadas.

Os que vão por desfastio,
já saem antes de entrar.
voz e punho em corrupio.
com tendência hospitalar.

Estribilho


                 V

A inspiração dos ministros
levanta o moral do País
e os partidos são sinistros,
quem caiu foi porque quis.

A Finança prazenteira,
de utilidade tão pudica,
espera a melhor carreira
aos ombros da moeda única.

Estribilho


                  VI

Talvez seja o que convém,
seguir na cauda e sem penacho,
pois se a Europa toda tem
a cabeça para baixo!

A cultura nem vai mal.
Que culpa tem a Educação
de que o erário nacional
tenha perdido a razão?

Estribilho


                   VII

Nossos avós da pré-história
nem podem dormir descansados.
Pinturas, ossos, memória,
por todo o lado ignorados.

Só não sabem é que o plano
visa uma boa intenção
que é erguer a todo o pano
a riqueza da nação.

Estribilho


VIII

Desconhece-se a tendência
de juntar na mesma esfera
ambição e inexperiência
quando o Desemprego impera..

O conselho e a vantagem
é não mais água meter
e apreciar a paisagem
antes de a terra tremer.

Estribilho


                    IX

Os anos podem passar
mas o estilo nunca muda.
Que adianta refilar
se não há quem nos acuda.

O pobre consumidor
vai ficar no calendário,
sério, mártir  e sem cor,
a ver tudo isto ao contrário.

Estribilho


                     X

A troika, que movimenta
os milhões toda emproada,
numa verdade nos senta:
uns com tanto,  outros sem nada.

Portugueses, tende orgulho
e o caráter nunca mudem.
Aprendam a ver no entulho
que as aparências iludem.

Estribilho


                   XI

De que servem movimentos
na rua? Loucura pura.
Ergam vossos sentimentos
mas numa nova postura.

E lavai no amanhecer
as mágoas deste jardim,
pois Portugal há-de ser
contra as marés, sempre assim.

Estribilho