quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SEPTUAGÉSIMO

1943-2013


24 horas.
O silêncio da noite é um veludo negro que penetra na alma e a enriquece de pequenas estrelas que cintilam ao longe na imensidade do desconhecido. Cada uma pode ser uma reminiscência.
Na linha do horizonte, a minúscula silhueta de um barco de pesca é um recorte luminoso sobre a superfície da água.
Tudo eu sinto perfeito.
Também o vidro da janela é transparente, completando a harmonia deste intervalo nos meus pensamentos.
A meu lado, sobre a mesa do computador, avulta a revista Novas de Alegria e eu não posso deixar de recordar o meu encontro com ela, há uns 17 anos, época em que nenhuma leitura de carácter religioso me cativava.
Ainda hoje, decorrido todo este tempo, não consigo explicar as condições estranhas em que este periódico me veio parar às mãos. Eu tinha acabado de entrar em casa, rodado a chave na fechadura do meu quarto, que conservava fechado durante o dia, e levantado as persianas, o meu olhar foi atraído para um objecto rectangular pousado em cima da cama. Intrigada, procurei lembrar-me de algum pormenor que esclarecesse o modo como fora ali colocada uma brochura que eu nem sequer conhecia. Interroguei toda a gente da família, apesar de saber que ninguém tinha acesso àquele compartimento e a negativa geral aumentou mais a minha confusão.
Teria sido fácil metê-la por debaixo da porta, mesmo que a capa se enrodilhasse. Não. Estava cuidadosamente assente sobre a colcha.
Quando me deitei, reclinei-me entre almofadas e, perturbada ainda, iniciei o meu primeiro contacto com a ficha técnica e a seguir, com o sumário. Depois comecei a ler.
Terminei o último texto às quatro da madrugada.
Novas de Alegria, denominada com um título original e apelativo, era de formato mais reduzido do que o que possui actualmente. Publicava artigos acessíveis a todas as inteligências. Inspirava popularidade. Mostrava uma particularidade interessante. As suas páginas continham prosa simples, educativa, sugestiva. E introduzia com frequência poesia, de verso livre ou rimada, mas que não deixava de ser apreciada na sua versatilidade sedutora.
NA adquiriu, com a mudança do executivo, uma personalidade diferente, de conteúdo mais erudito, mais “austero” e creio que destinada a uma certa plêiade de leitores. De aspecto gráfico elegante e atraente, continua a poder regozijar-se de prosseguir a sua jornada de evangelização e ensino interpretativo da Bíblia Sagrada e, nessa conformidade, vai conquistando a sua coroa de glória.
E porque assim o entende o Senhor, NA comemora, nesta data, o seu septuagésimo aniversário. 840 meses. Em 840 vezes, uma em cada mês, ela foi fruto de um esforço conjunto, de um carinho profundo, de uma entrega absoluta, de uma dedicação extrema. Por isso, alcançou o seu septuagésimo percurso com mais uma vitória, pela bênção do Senhor, que a conduziu.
Felicito a NA por esta data feliz e felicito-me por a ter encontrado, reservando para a sabedoria do Senhor a decifração do mistério que rodeou o meu encontro com uma publicação que não se exime a irradiar a sua fonte de luz e de orientação.



Nota apêndice:

Festeja este ano, em edição especial e requintada, os seus 70 anos de existência, a revista evangélica na, “Novas de Alegria”, propriedade da Convenção das Assembleias de Deus em Portugal e divulgada ao público pela Capu, Ldª, Casa Publicadora da mesma conceituada instituição religiosa.
Fundada em 1943, conheceu vários Directores, passou por vários Executivos e experimentou algumas transformações e metamorfoses mas manteve sempre uma linha coesa com os valores morais e cívicos, tendo como baluarte o Evangelho e como impulso histórico a Bíblia Sagrada.
As circunstâncias estranhas em que ocorreu o meu encontro com esta Revista nunca foram esclarecidas: há domínios em que o homem não penetra, não tem essa permissão.
A partir daí, a minha colaboração, quer com prosa quer com poesia, sem ser muito assídua, vestiu uma nova roupagem inspirada nos textos do VT e NT, lidos com extrema atenção e com uma curiosidade sempre crescente.
É esta leitura cuidada, atenta e persistente que nos leva a perceber como se constrói a felicidade humana e como certas realidades tidas como importantes, são supérfluas.
O meu contacto com “Novas de Alegria” não originou apenas a criação de vários trabalhos de carácter mais espiritual que intelectual mas uma percepção intuitiva da essência universal dos padrões de Jesus Cristo, como Homem e como Filho de Deus… como nós somos.
S´0 que Ele mereceu ser assim chamado. Homem e Filho de Deus. Nós, nem uma coisa nem outra.
Senti-me muito honrada pelo convite que me foi feito e de bom grado, me associei à celebração deste auspicioso evento com o trecho que precede esta nota e foi publicado no exemplar deste mês de Janeiro.
Daqui, reformulo os meus sinceros votos de sucesso e prosperidade sempre crescentes para a Revista e seus cooperadores, convidando as pessoas a se debruçarem sobre esta leitura com o propósito de aprender, descobrir e compreender que em todos os momentos do nosso quotidiano, a mensagem de Cristo se salienta para que conheçamos o fim para que fomos criados e para que as nossas quedas não sejam tão frequentes.


Aurora Santos