domingo, 18 de novembro de 2012

YOLANDA


5 de Novembro de 1974


A nossa Yô!

Quando nasceu, era forte, gorducha, era aquilo que se convencionou chamar “fofa”.
Por isso mesmo, proporcionou um parto confortável, com dor suave e rápida.
Veio ao mundo no ano da revolução de Abril e cruzou-se com as dificuldades socioeconómicas provenientes da mudança do sistema governamental.
Pode dizer-se que Yolanda nasceu em democracia, ignorante e livre do que foram quarenta anos de fascismo.
Yolanda deu os primeiros passos com a jovem democracia portuguesa. Aluna exemplar, enquanto o novo regime tropeçava a cada passo, obrigando as famílias a rever as suas posições ideológicas, a pequena Landinha, como ternamente a chamavam, desenvolvia as suas capacidades, longe dos desmandos da população que confundia liberdade com libertinagem.
Por falta de recursos financeiros, não pôde dedicar-se à concretização do seu sonho: ser estilista e desenhar moda. Com original sentido estético iria longe e realizar-se-ia.

Jovem determinada e muito organizada, jamais se deixou abater pelo desaire de dois casamentos frustrados, dos quais resultaram dois belos rapazes que ela procurou instruir e educar e acompanha no seu desenvolvimento psico-somático.
Aberta ao diálogo construtivo e didático, frequenta, sempre que pode, as tertúlias, os “cafés filosóficos”, as exposições de arte e seleciona as boas sessões cinematográficas.
Não permite que a adversidade a deite por terra e sempre combateu o negativismo, as ideias pessimistas e as energias malévolas, procurando as experiências salutares da vida para enfrentar com coragem as desilusões que outros lhe causam.
Adora pintar, decorar espaços, não se furtando a caiar paredes se esse trabalho contribuir para base da sua imaginação estética.
A nobreza de sentimentos e o seu cunho de altruísmo mistura-se muitas vezes com o seu sexto sentido, quando reconhece a oportunidade e o momento certo para agir.
Espírito desempoeirado, com elevado pendor idealístico, aprecia muito o convívio, uma conversa de estrutura sólida que dê para se aprender alguma coisa. Todavia, não rejeita o diálogo de humor sadio e inteligente.
Para completar este quadro da nossa “benjamim”, é digno de ser elogiado aquele pormenor que pode passar despercebido à maioria mas nunca às pessoas para quem ela representa um papel muito “sui generis” e que dá pelo nome complexo de sofrimento, medos, solidão, desapontamento.
Yolanda disfarça tudo isso com uma sofisticada indiferença. Recalca o sentimento menos positivo e ri à vida que, mau grado os dissabores, a orienta na passagem para margens menos tempestuosas onde pode aguardar a vinda do sol e o seu reflexo na água.
A isto, se chama triunfo. Poder sobre si própria. Venha o que vier. Por tudo o que tu és, o meu coração está contigo!