domingo, 18 de novembro de 2012

LUANA


3 de Novembro de 2009

Era uma vez uma boneca, de carne e osso, pesada e rechonchuda, com pupila de azeitona escura. Caracóis miudinhos fazem da sua cabecita, um bonsai, artisticamente podada, assente sobre um rosto harmonioso, de pele cor de cacau.
Todo o vestuário lhe fica bem mas o cor-de-rosa contrasta com ela primorosamente.
Com três anos de existência, tem pouco da sua vida para contar a não ser que a separaram dos pais sem respeitar os seus afectos e sem lhe pedir opinião sobre as suas preferências.
Talvez por isso, Luana, a Luaninha, como lhe chama a irmã, seja uma criança reservada, silenciosa, necessitando do carinho familiar para se expandir.
No infantário é solicitada pelos outros meninos que apreciam a sua companhia. A personalidade que desenvolve revela-a uma criança com sentido extremo de observação e facilidade no aprendizado quotidiano, obedecendo às regras do sistema educativo sem aparente dificuldade.
Não lhe falta nada. Contudo, a tristeza brilha nos seus olhos. Se soubesse expressar o que lhe vai na alma, diria com desassombro que o melhor local para ser feliz, é a casa de seus pais, o seu quarto e os seus brinquedos, os seus objectos pessoais a que ela imprime o humanismo característico da sua ternura infantil.
Não sendo muito expansiva, mostrando mesmo uma espécie de expectativa defensiva, Luana é um “bijou” delicioso que apetece trazer ao colo, abraçar e a quem apetece contar histórias do “Capuchinho Vermelho”, “O Patinho Feio”ou da “Pantera Cor de Rosa”, para ver um sorriso luminoso naquele semblante redondo, doce como um bombom na sua prata colorida.
Que reservará o mundo a esta criança? Que abutres a espreitam para a destronar dos seus mais caros sentimentos e direitos constitucionais?
De uma coisa, pode estar certa. Os seus pais e todos os seus familiares não deixarão que mal algum lhe aconteça e manterão sempre uma presença viva e solícita.

Luana, razão de viver de seus pais, tal como sua irmã, Iolanda, que se arvora em sua protectora, é um diamante esplendoroso no universo da existência materialista e consumista que a sociedade usa e abusa, destruindo os valores essenciais da vida humana.
Um desses valores cimenta-se na virtude inocente da criança, um tesouro precioso, de preço incalculável que faz parte do cofre de tesouros diversos que constituem o relicário infantil.
Gratos e felizes por teres nascido, Luana, rogamos ao teu anjo da guarda, a bênção sublime de continuares a ser a nossa menina, a nossa “boneca”, decorada pelo pincel de um Deus maravilhoso que juntou os ingredientes da beleza e da harmonia e nos presenteou com a tua graciosidade de porcelana.
Seja também o teu guardião, o carinhoso xi-coração com que te envolvo, desde agora e para sempre.