sábado, 9 de junho de 2012

DIA DA RAÇA

10 de Junho de 2012 - DIA da RAÇA



LUIS VAZ DE CAMÕES

(Lisboa, 1524 (?) – Lisboa, 10 Junho de l580)


Na minha juventude, passaram no ecrã dos cinemas, a preto e branco, claro, alguns filmes sobre a vida de Camões, um galã aventureiro, romântico fascinante e extraordinário vate da poesia, quer em sonetos de amor quer em madrigais de redondilha menor, dedicados às damas não só da Corte como plebeias.
António Vilar interpretava a personagem e eu delirava com o entrecho, os duelos de capa e espada, os arroubos sentimentais nos varandins dos palácios, nos caramanchões velados ou nos bosques frondosos.
Ficava suspensa com a punição a que o rei o destinara para salvaguarda da honra feminina, a guerra de Ceuta contra os mouros, a perda do olho direito, o exílio, a sua amada Dinamene, o naufrágio onde a perde e a custo, se salva com a preocupação atroz de defender o maço de manuscritos que contavam a história de Portugal, escrita quando da sua estadia no Oriente. A Pátria foi sempre madrasta para os artistas, sempre arrostou com as culpas que em boa verdade se devem aos sistemas governativos.
Luís de Camões é autor de uma obra monumental que expande uma epopeia, a dos Portugueses como navegadores e conquistadores de outros mundos, mas ninguém na sua terra lhe reconhece o mérito. Os seus últimos dias são vividos com o auxílio do seu criado, Jau, que pede esmola para a sobrevivência de ambos e, por fim, recebe do monarca uma mísera tença, digamos que para morrer de fome mais dignamente.
Os 10 Cantos dos Lusíadas, escritos em decassílabos, continuam a fazer parte da matéria da disciplina de Português. Eu adorei sempre este volume pelos exercícios gramaticais que era obrigada a fazer como pela temática que versava a época dos Descobrimentos desde D. Manuel I a D. João III
O sentimento lusíada, impregnado de miríficos deslumbramentos e cenários mitológicos, está bem descrito em cada estrofe e guindou o autor ao expoente máximo da literatura renascentista.
Actualmente, os estudantes do secundário estudam pouco esta obra, não sentem interesse em analisá-la e grande parte dos adolescentes nem sabem quem foi Luís de Camões.
A situação agrava-se com o novo Acordo Ortográfico que nenhum respeito observa pelos étimos latinos da nossa língua, os de via erudita e os de via popular. Se o interesse por esta leitura era precário, agora passará a ser nulo, pois o nosso idioma de vernáculo que tinha, passa a ser uma mistura caótica de imitações e estrangeirismos que acabam por ensombrar a nossa identidade de lusitanos, geradores de um sono profundo de termos feito uma era, a dos Descobrimentos, e sermos iguais a nós próprios, na vanguarda da civilização em busca de outras civilizações.
Naquele tempo, a Europa teria cauda?
Ou adormecemos à sombra dos louros de Camões?