terça-feira, 31 de janeiro de 2017

NATAL 2016 – ANO NOVO 2017 - R E S C A L D O


Sim, na verdade não encontrei disposição para escrever alguma coisa sobre estas duas quadras.
Porquê?!
Há dois milénios que o cenário se repete. E apesar de as sociedades evoluírem, celebrarem conquistas e modernizarem o seu quotidiano, tornando-o mais confortável e promissor, na generalidade o cérebro humano está cada vez mais atrofiado e o individualismo prolifera alargando a margem do egoísmo, do egocentrismo.
Diz-se ainda que o Natal é das crianças. É-o de facto. A sensibilidade sem mácula com que recebem os presentes, a alegria esfusiante com que mimoseiam as surpresas, a expectativa com que aguardam a imagem de um Pai Natal lendário, conduzindo as suas renas e o seu trenó, como um conto de fadas transposto para a realidade, são de um vernaculismo exemplar, de uma pureza  que dignifica o mundo.
O Natal para os adultos não se reveste do mesmo significado. Trocam-se palavras convencionais. Transparece alguma sinceridade e até creio que alguns vibrem momentaneamente com o espírito natalício, a união familiar, o pretexto para “matar saudades” e se realiza se surge a oportunidade, pois a vida escraviza, não adoça. Pelo menos, as pessoas deixam se manietar por ela.
Mas chega o novo Ano e este, sim, é dos indivíduos crescidos, que embarcam na miragem do festivo e não conhecem limites.
E temos o aumento da sinistralidade nas estradas, os excessos das bebidas, o exotismo das infracções e da violência.
É um tempo especial para quem despreza o bom senso.
Regressando à rotina, ignora-se que se podem cometer acções de ternura, de perdão, de solidariedade, de respeito pelo semelhante, de compreensão, de abnegação.
E a humanidade volta a sobreviver com os seus criminosos, psicopatas, energúmenos, gente bárbara, selvagem, esmagada sob o efeito do veneno que destila na sua alma.
Porque as celebrações têm significado efémero, desviam a atenção do quotidiano, disfarçam momentaneamente os problemas através da embriaguês dos sentidos.
Os adolescentes pagam a factura. Vejamos o que lhes vem acontecendo ao longo do ano. À deriva, sem aconselhamento educativo, sós nas decisões, ébrios de liberdades catastróficas.
Os pais têm culpa e a sociedade também.
Mas não há volta a dar-lhe. Os erros e o desleixo repetem-se. O comodismo acentua-se na proporção directa das dificuldades sócio-económicas e da capacidade temperamental de as aceitar e resolver.
Enquanto pensarmos em termos materialistas, desprezando o espírito, não vamos a lado nenhum.
Por isso, resta-me desejar em cada dia, o bem de todos, manifestar em cada dia, solidariedade, compreensão e tolerância para com o próximo e considerar cada criatura inestimável, estimulando-a a ser cúmplice da minha boa vontade.
E assim, aqui estou brindando todos os dias por um Natal simbólico do comportamento humano e cívico de cada um e pelo Novo Ano desfolhado por um calendário individual que incentive a paz, o amor, a ternura e aquela nobreza de sentimentos que inspira a relação emocional em todos os níveis.
Diariamente, convém parar uns minutos para reflectir.

Feliz Ano 2017!!!