domingo, 10 de agosto de 2014

O MEU BANDOLIM



Homenagem pelo seu aniversário, ao presbítero Torcato Lopes.

Para além de orador evangelista, de palavra fluente e brilhante, foi Diretor Executivo da revista mensal Novas de Alegria onde continua a sua colaboração com temas designadamente ligados à música sacra.
Como regente coral de grupos que chegaram a somar cerca de mil vozes, tem encantado audiências e elevado ao extremo a sublime arte de comunicar, quer através dos seus discursos, dos seus textos, quer por meio da audição das numerosas melodias que deu a conhecer.
Espírito refinado e elegante, pertence à Convenção das Assembleias de Deus em Portugal e é ao seu caráter de missionário e de peregrino ao serviço de Cristo que dedico este humilde poema em forma de loa, lembrando o seu bandolim que infelizmente ainda não pude ouvir tocar.
Feliz aniversário Irmão Torcato Lopes!

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Quando afago entre os meus dedos,
cordas do meu bandolim,
desato, enlaço segredos
no mais profundo de mim.

Transponho as nuvens do céu
por horizontes sem fim,
recantos donde irrompeu
o meu sonho de marfim

e onde eu me sinto mais eu
e menos fora de mim.

Mergulhei o meu anseio
num universo e jardim
onde o sol esconde o enleio
 e o mar, algas de cetim;

onde eu me sinto mais eu,
mais no abismo de mim.

Vejo a brisa. É leve e tece
das folhas um palanquim.
No dorso do espaço aquece
o som do meu bandolim.

Quando estremeço entre os dedos,
cordas do meu bandolim,
entrego aos ventos os medos
que se tornam carmesim.

No silêncio perturbante
de uma paz longe de mim,
invoco, instante a instante,
a voz que anuncia em mim:

O tempo passa. No entanto,
parado dentro de mim,
fica um tempo sacrossanto
que é teu, Senhor; não tem fim

e a ti dedico, de mim.