quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

CARNAVAL - O EU OCULTO


Toda a gente gosta do Carnaval e a maior parte não concorda em que o feriado deixe de existir. Talvez para poder vestir as suas crianças e rever-se nelas. Talvez para “fazer de conta” protagonizando uma figura da sua eleição. Talvez para se divertir, fingindo o que não é possível. Enfim, uma infinidade de razões em que as fantasias caracterizam por algum tempo, criaturas reais ou mitológicas, através das quais o ser humano vive uma farsa, de acordo com o seu gosto. Atrás das lantejoulas, dos “lamé”, dos vidrilhos e cetins, a personalidade deixa de ser o que é para ser o que desejaria. Cria-se um Carnaval divertido, folgazão, azougado e atrevido, para camuflar o Carnaval que nós somos e as máscaras que utilizamos.
No dia a dia, verifica-se isso, frequentemente.
Conforme as nossas conveniências, queremos sempre parecer o que não é. Afetamos delicadeza quando desejamos mandar o outro para as urtigas. Prometemos o que não cumprimos para ficar bem na foto ou para conseguir regalias. Atraímos donativos em campanhas mistificadas, esquecendo as carências e a penúria dos outros dias. São esgares os nossos sorrisos quando não manifestamos o sentimento da sinceridade.
No mundo adverso em que vivemos, mascaramos tudo.
O comércio, a publicidade, o consumismo, o preconceito, o estatuto social, as fraquezas, os vícios, os hábitos.
Põem-se máscaras e mascarilhas consoante o disfarce.
São tão apreciadas que há quem as possua como elemento decorativo. Honra aos artistas, com os seus modelos de porcelana, pele, e outros materiais.
Talvez por isso eu goste de máscaras. E as use também.
Em certos parâmetros, tem o nome de diplomacia.