domingo, 27 de outubro de 2013

Reflexão XVII


Este segundo Mandamento dos Dez anunciados a Moisés, no Monte Sinai, tem para mim uma conotação muito forte, para alem dos benefícios que será suposto atribuir aos nossos desejos e interesses.
Na realidade, o que queremos para nós é tudo quanto de melhor existe para a criatura humana: saúde, paz, prosperidade, sucesso. Nada que seja o antónimo disto, devemos desejar para os outros.
Todavia… amar o semelhante como nos amamos, não significa algo de positivamente salutar para ele. Porquê?!
Será que verdadeiramente nos amamos? Será que gostamos de nós?
Passar um creme na cara para evitar as rugas; fazer uma limpeza de pele; Pôr um perfume que nos agrada, não se torna evidentemente imperioso para o nosso próximo. cuidar da saúde, dos hábitos alimentares e de higiene e outros específicos de cada situação, é bom mas insuficiente, porque traduz compaixão e suprime necessidades aglutinantes. Mas, para mim, isto não é amar o próximo como a nós mesmos.
Como podemos fazê-lo, se nós próprios nos descuramos no sentimento que temos por nós?
Quando cultivamos em nós, emoções pérfidas, a cólera, a inveja, a incompreensão, o egoísmo, a avareza, a ambição, os prazeres que geram os vícios, não estamos a dar a mínima importância a nós mesmos. Estamos, sim, a provocar um caudal de infelicidade para o nosso corpo e para o nosso espírito. Com tal estado como cumprir o mandamento?
No dia em que eu me sentir leve, desanuviada, feliz confiante que Deus, acima de todas as coisas, nos protege com a sua misericórdia e poder infinitos e nos orienta com a sua sabedoria, eu estou apta a amar o próximo com as mesmas armas de que disponho, sem o humilhar com a minha ajuda ou colocar em plano inferior.
A angústia, o desespero, o desapontamento, a descrença, o pessimismo, são desgaste da alma e a ruína espiritual de quem apenas quer amar a si próprio e o não sabe fazer.