quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Reflexão XIV


Meditar é um refrigério para os distúrbios do nosso pensamento. Aprenda a meditar. Habitue-se a meditar.

Meditar, ouvindo uma música de fundo, do nosso agrado;
meditar no recanto de uma paisagem de arbustos;
meditar à beira de um riacho;
meditar no cume de uma montanha;
meditar ouvindo as ondas ou mergulhando os pés na areia;
meditar numa gruta ou caverna;

Poderia buscar inúmeras formas de meditar, integrada nos ambientes paradisíacos que nos rodeiam…

Hoje, medito em forma de sonetos, no caramanchão florido do meu interior.



Presunção


Quisera ser um astro, espinho ou verme,
Uma corola a abrir ao sol nascente;
Orvalho a deslizar sobre a epiderme,
Um trovão ribombando no poente;


Uma força brutal de paquiderme,
Uma brisa soprando em corpo quente,
Um pequeno granito, um núcleo, um germe,
Um bago de uva, um trigo florescente.


Tudo de ti procede como um sino
E se eu fora como tudo o que disse,
Vibrava reverência como um hino.


Mas a minha vontade é só tolice.
Mal sei do Teu caminho e o meu destino
Te busca como se de Ti fugisse



Introspeção


As horas vão passando nos quadrantes,
os risos escoando pelos dedos,
os olhos são mais tristes do que dantes,
as lágrimas recalcam seus segredos.


Os nervos vão pulsando sem sentido,
na febre ou no delírio - nem eu sei -
de calar o tumulto ou o gemido,
de aspirar outro rumo ou outra Lei.


A vida são suspiros que se vão,
as almas, mil retalhos de apatia,
perde-se do sentimento a vibração.


Que belo e luminoso e bom seria,
se o homem meditasse na razão
por que se morre um pouco em cada dia.



Infinito


Neste espaço que habito em turbilhão
e me obriga a correr, chorar, gemer,
só o beijo do sol, a imensidão
afaga a minha ira de mulher.


Viver para morrer? Eis a questão.
Ando por todo o lado sem saber
o rumo, o infinito, o coração
das trevas ofegantes, ser,  não ser.


E a dúvida se instala por meu mal
no inferno do meu desassossego,
na tremura da minha voz exangue.


Que verdade procuro eu, afinal?
Para que ter à terra tanto apego
se vivo em universos no meu sangue?



Sonho de Leão


Não trago, Senhor, o teu nome comigo.
Não tenho, Senhor, consciência de nada.
Minha alma está velha, tão só, sem abrigo.
Pareço um farrapo, de tão desgastada.


E choro e me irrito, por tudo e por nada.
Acuso o destino de meu inimigo.
Não mexo uma palha para ser virada
a curva da vida que me tem consigo.


A verdade é esta: Não sei o que quero.
Meu barco se afunda; seu  Norte é o zero
mas sei que me esperas em Teu despertar,


me vestes de branco, alvura de arminho,
me chamas de perto, muito de mansinho,
me pegas na mão, me elevas no ar…


Por isso, apesar deste torvelinho,
não devo, não posso, não quero acordar.