sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O PAÍS ESTÁ A ARDER




O País, terra queimada, veste luto por si próprio

É uma desolação. A paisagem verde e florida foi substituída por troncos descarnados e negros, destroços e matéria inorgânica calcinada, por caruma agreste e mato ressequido, tudo reduzido a cinzas.
Visitamos os lugares dantes luxuriantes, as explorações agrícolas, fruto do trabalho e sustento de muitos e o que se nos depara, pior que uma intempérie, são enormes extensões de terrenos devastados pelo fogo.
O cancro disto tudo é que esta situação de incêndios que podia, na melhor das hipóteses, ser provocada pela alteração do clima, da intensidade do calor, é na maior parte das ocasiões, senão quase todas, originada por “fogo posto”, por incendiários psicopatas que atuam por diversão ou por vingança.
Pergunto, perante este quadro e o preço por que pagaram as vítimas ceifadas na onda desta calamidade, que solução encontrar para travar a violência e o resultado de acontecimentos que envolveu, para além da perda de bens materiais, a imolação de vidas humanas, “os soldados da paz”, cuja saudade e afetos são insubstituíveis.
O curioso é que se previa, como todos os anos, que estas destruições iriam suceder mas ninguém esperava que numa nação de “brandos costumes” como a nossa, o crime adquirisse proporções irremediáveis.
A punição para estes energúmenos não servirá de nada. Não trará os bombeiros de regresso ao mundo; não pagará os prejuízos; não remediará o pânico em que as famílias se encontram com o receio de novas represálias; não evitará novas “proezas” no género.
De que serve haver mais cadastrados nas prisões?
A solução não está aí mas no impedimento do mal. Como?
Obrigatoriedade da limpeza periódica das florestas. Há muita gente desempregada que, possivelmente apenas pela garantia de comida, aceitariam de bom grado, esses serviços.
Vigilância permanente das zonas arborizadas.
Os resultados obtêm-se na prevenção não na resolução em cima da hora, no castigo dos famigerados, muitas vezes a soldo de agentes estranhos e no recurso a auxílio externo que mais caro nos fica.

Mas quem tem poder e discernimento para mudar este panorama, sem excluir que os proprietários das matas e pinhais, deviam ser obrigados, eles também, à limpeza das suas superfícies?
Afinal, onde está a culpa?
No Governo, cujo Ministério próprio, não movimenta as suas competências no sentido de uma vida tranquila e não ameaçada?
Nas instituições criadas - dizem - para “conservação do ambiente”?
No povo, que se lastima quando lhe toca e lastima os outros quando fica de fora?
Afinal todos somos culpados!
Não termino sem prestar a minha homenagem sentida pela ação heroica das mulheres e homens que responderam e ainda respondem com a vida ao apelo aflitivo daqueles que nada fizeram para evitar estas catástrofes.
A glória e a paz estejam com estes jovens cujo altruísmo e dedicação deviam envergonhar-nos e cobrir-nos de remorsos.