terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Considerações de um Velho Ano Casmurro


Aurora Tondela


Eu sei, eu sei. Não é preciso enxotarem-me. Reconheço que vos deixo mais pobres do que quando comecei mas a culpa não foi minha. Peçam antes satisfações a quem encheu as algibeiras e se esteve nas tintas para os menos protegidos.
Devagar, credo! Não me dêem pontapés. Eu já identifiquei o caminho da saída. Mas se acreditais que esse parceiro que entrou vai fazer melhor do que eu, enganem-se redondamente.
Desiludido estou eu convosco. Só fazeis asneiras; só cometeis erros; não vos esforçastes para obter melhor situação nem me ajudastes a expulsar os que de vós se serviram para alcançar o poleiro, arrotando de prazer.
Desiludido vou eu por esta luta inglória em que os mais economicamente débeis, vêem os seus horizontes cada vez mais escurecidos.

Sei muito bem que tudo vai mal neste país. Mas eu lavo daí as minhas mãos. O que pude, fiz. Mal, pouco, mas fiz. O que não pude fazer, não me deixaram.
Enquanto os portugueses forem na onda, seguirem a lei do menor esforço, bloquearem as suas mentes e não impuserem os seus direitos, não há remédio que os salve.
Está na cara o que devia ser feito mas união é virtude que eles não respeitam porque adoram ser individualistas.
Por isso, os textos que aí ficam, escritos em datas diversas, focam todos a mesma carente surpresa de um ano que se vai, a toque de caixa, sem deixar saudades e de um outro que se lhe segue, pleno de ideais e de esperança mas cujo resultado é uma tristeza.
Continuai a viver de esperança, que esta lebre está corrida.
Quanto ao meu colega 2013… com a sua inexperiência, a argúcia dos que mandam e a credulidade dos que deles esperam alguma coisa de produtivo… puf!...
Faço votos para que a história se não repita. Mas se não fizerdes, exigirdes mudanças radicais, irradiando os parasitas, os galifões, os oportunistas e outros que tais que nada percebem de gerência, bem podeis limpar as mãos à parede.
Já que não sabeis honrar as minhas barbas envelhecidas por tanta canseira e bater na mesma tecla, estimulai esse pobre coitado, que aparece sem saber da missa, a metade e que não conta com o fenomenal balde de água fria, despejado nos seus bons propósitos.
Bem, adeus… Isso, isso, fartem-se de mim, exibam essa expressão de fastio.
Nem reparam que saio de mãos a abanar. Sabem o que vos falta? Eu digo: uma boa dose de inteligência, de coragem, de determinação. e de discernimento. E não vão atrás de futebóis, jantaradas, arraiais, pândegas. Fazem-me lembrar os tempos da Roma bárbara em que se dava carne, vinho e espetáculos para manter o povo calmo. Só que hoje, vós é que pagais a panaceia das comezainas e folclore com os vossos magros cêntimos.
Pronto. Acabei e não disse tudo. Apenas pergunto: Quem olhará por vós, senão vós próprios? ”Fiem-se na Virgem e não corram; vereis a praga que levam”. Ah! Ah! Ah!

Assinado 2012